quarta-feira, 19 de março de 2014

O andar do bêbado

Às vezes, o andar firme e decidido dá uma falhadinha, por vezes, o serpentear torna-se o nosso modo de caminhar, talvez, por isso, o título  do livro "O andar do bêbado", de Leonard Mlodinow,seja um convite, mas nada de chamar o garçon, o livro discorre sobre como as escolhas, mesmo as elementares, que fazemos, ou que nos fazem, são aleatórias, quando pensamos que existe um motivo racional, objetivo para justificar uma determinada escolha e temos certeza disto, podemos nos surpreender quanta falta de domínio temos sobre ela.  O livro vem recheado de matemática, calma, calma! matemática que até uma dedicada estudante de humanas entende, cheio de estatísticas, calma, calma! estatísticas interessantes e relacionadas tanto com o texto quanto com o nosso dia a dia.  Quando dizem que não se pode escolher um livro pela capa, temos este livro confirmando a afirmação. Uma coisa que me interessa neste título é que eu adoro o andar de bêbados em geral, mas, principalmente, o dos conhecidos, acho simpático e despreocupado, quando não perigoso, porque aí me dá preocupação, me lembra um balé, quanto mais se tenta acertar o passo, mais bandeira se dá.  Tenho um amigo, Zé Carlinho, que não pronuncia a palavra bêbado, diz sempre embriagado, acha menos ofensivo, porque a palavra bêbado tornou-se tão pesada?  Tá bom! sei da tristeza do alcoolismo, da associação linguística imediata com esta triste realidade, mas aqui estou tratando da parte gostosa, aquela de tomar um negocinho sexta e sábado, nunca sozinho, sempre com amigos, que, às vezes, faz chorar, às vezes, faz dar risada de tudo, que nos faz repetir a mesma piada montes de vezes e rir em todas elas, que faz com que se conte a história já contada e recontada, atraindo, mesmo assim, a atenção da plateia.  Um outro amigo, não lembro qual, disse uma vez: "que é bom ficar um andar acima da humanidade", concordo. Gosto também das zingarate dos sábados, começa-se no final da manhã/hora do almoço, um aperitivo despretensioso, quase pudico, porém, surpreendente, ele vai se alongando, sempre com amigos, pulando de um lugar para outro, ou, às vezes, baixando âncora em um lugar só, que destino gostoso! que delícia acordar no dia seguinte e dar risada sozinho lembrando do dia/noite anterior! Confirmando-se a teoria do livro, eu tive a maior sorte do mundo, porque se é verdade que amigo é o irmão que a gente escolhe, o acaso/o destino/il fato foi demais comigo.Grazie!

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